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Desigualdades na educação ainda afetam o acesso de milhões de brasileiros ao mercado de trabalho

Apesar da queda histórica na taxa de analfabetismo no Brasil, que atingiu 5,3% em 2024 entre pessoas com 15 anos ou mais – o menor índice desde 2016 –, os desafios entre educação e mercado de trabalho continuam latentes.

Segundo a PNAD Contínua, apenas 27,1% dos jovens brasileiros estão na etapa escolar adequada para a idade na faixa entre 18 e 24 anos, ou seja, a graduação. A defasagem educacional é ainda mais grave quando analisada a partir da desigualdade racial: 70% dos jovens pretos ou pardos estão fora da escola ou atrasados nos estudos. Isso reforça a desigualdade de acesso à formação básica e superior, comprometendo diretamente as oportunidades profissionais futuras.

Essa defasagem tem impactos econômicos significativos. De acordo com um estudo realizado pela Fundação Roberto Marinho em parceria com o Insper, o Brasil perde cerca de R$ 200 bilhões por ano com a não conclusão da educação básica. A evasão escolar é um gargalo que afeta tanto o desenvolvimento econômico do país quanto a vida de milhões de brasileiros. Jovens que abandonam os estudos enfrentam salários mais baixos, menos estabilidade e baixa satisfação profissional.

Desigualdades ainda persistem

Segundo o Censo Escolar da Educação Básica 2023, do IBGE, entre os jovens de 15 a 29 anos que deixaram a escola, 40% afirmam ter feito isso para ajudar na renda familiar. Atualmente, quase 70 milhões de brasileiros estão sem escolarização. A desigualdade também é geográfica: quanto menor a renda per capita de um município, maior é o número de alunos fora da escola.

A pesquisa “Mission Brasil” reforça essa conexão entre formação e futuro profissional: 59% dos entrevistados consideram a educação fundamental para o crescimento na carreira. No entanto, 43% têm apenas o ensino médio completo e 18% apontam a dificuldade financeira como principal barreira para avançar nos estudos. A urgência por renda ainda fala mais alto que o conhecimento, o que contribui para manter o ciclo de desigualdade.

A distância entre educação e emprego impacta diretamente o futuro de milhões de brasileiros, perpetuando um ciclo que compromete o crescimento do país. Em um cenário de avanços tecnológicos e transformações nas relações de trabalho, a escolaridade segue sendo uma das chaves para a inclusão, a mobilidade social e o desenvolvimento sustentável.

É preciso garantir permanência e qualidade na educação, além de aproximar a escola do mundo do trabalho. O Brasil tem urgência em romper com o ciclo de evasão, subutilização e desigualdade que ainda marca a trajetória educacional e profissional de grande parte da população.

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