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Assistência social, desigualdade e mercado de trabalho: como tudo isso se conecta?

Os programas voltados para o assistencialismo são tema de debates acalorados no Brasil. Uma porcentagem da população acredita que esse tipo de incentivo estatal “acomoda” as pessoas na situação de pobreza, entretanto, os dados podem contar outra história.

Um país que sempre foi alvo da desigualdade como o nosso só começou a falar em propostas de projetos sociais em 1991, e somente em 1992 foi implementado o Programa de Garantia de Renda Mínima. Quase 10 anos depois, em 2001, os projetos sociais foram ampliados com a criação  do  Bolsa Alimentação, do Auxílio-Gás, do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e do Cadastro Único (CadÚnico), que reuniu em um banco de dados as informações sobre os beneficiários.

Atualmente, um dos programas mais conhecidos é o Bolsa Família. Para se enquadrar como beneficiário é preciso que a renda de cada pessoa da família seja de, no máximo, R$ 218 por mês.

Depois de 30 anos de incentivo público, será que as pessoas realmente se acomodaram? Entenda!

Como está a desigualdade social no país?

Segundo o IBGE, a população mais pobre teve um salto de 17% na renda e a desigualdade caiu ao menor nível desde 2012. Além disso, o rendimento médio das famílias brasileiras chegou a um nível recorde em 2024. Isso se deve aos programas sociais, reajuste do salário mínimo e a um mercado de trabalho mais dinâmico.

Ou seja, o investimento em assistencialismo é um projeto de longo prazo. Quando somado a mais acesso à educação e ao crescimento econômico, estes fatores contribuem para a redução da pobreza. Ao oferecer auxílios, as pessoas têm a oportunidade de se reerguer, inclusive é o que mostra os dados.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), no ano passado, do total de vagas formais de emprego criadas no país, 98,87% foram ocupadas por pessoas inscritas no Cadastro Único, sendo que 75,5% eram público atendido pelo Bolsa Família.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas revelou que as empresas de médio e grande porte foram responsáveis por mais de 1 milhão de postos. Já as microempresas foram responsáveis por 564 mil vagas no total.

Por que o assistencialismo incomoda mais do que o acúmulo de riquezas?

A Oxfam, ONG de combate à pobreza, revelou que os bilionários do mundo acumularam mais de R$ 12 trilhões após um crescimento recorde das riquezas em 2024. Enquanto se debate sobre programas sociais, que já se provaram benéficos, os ricos estão acumulando ainda mais riquezas e pagando menos impostos. Esse modelo de sociedade aumenta a concentração de renda na mão de poucos.

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