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Mercado de trabalho: precarização, racismo estrutural e o desejo pela CLT

Embora a valorização do trabalhador seja frequentemente mencionada, muitas funções essenciais ainda são desvalorizadas. Atividades que exigem esforço físico, repetição e resistência, como pedreiros, faxineiras e coletores(as) de lixo, são fundamentais para o funcionamento da sociedade, mas costumam receber tratamento discriminatório, muito ligado a classe e raça. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese, 2023), grande parte desses profissionais é negra e periférica, evidenciando a influência do racismo estrutural na ocupação desses postos.

O desrespeito aparece em gestos cotidianos, como quando serviços essenciais são considerados “caros demais” por quem detém alto poder aquisitivo. Exemplos recentes incluem o apresentador Rodrigo Faro, que declarou que não pagaria R$ 400 pelo serviço de limpeza de sua piscina, mas vive em uma casa de R$ 15 milhões. Outro é o caso da chef Isa Scherer, que oferece cookies a R$ 21,50 cada, mas propôs apenas R$ 1.800 para um auxiliar de cozinha trabalhar das 14h às 22h, enquanto exibe bens de luxo nas redes sociais. Esses casos evidenciam desigualdade na remuneração justa afeta diretamente a classe que mais precisa de oportunidades.

Paralelamente, cresce o fenômeno do “empreendedorismo por necessidade”. A ideia de ser “seu próprio chefe” se consolidou diante do desemprego e da informalidade, mas muitos que se aventuraram no empreendedorismo, hoje, desejam retornar ao emprego formal. A pesquisa “O Trabalho no Brasil”, realizada pelo Instituto Vox Populi em 2025, a pedido das centrais sindicais, revela que 56% dos autônomos afirmam que voltariam a ter carteira assinada, evidenciando que a CLT ainda é percebida como sinônimo de estabilidade, proteção social e direitos básicos.

A informalidade contribui para esse cenário: segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE deste ano, 37,8% dos trabalhadores brasileiros são informais. Muitos não deixaram o emprego formal por escolha, mas foram empurrados para funções sem proteção, em grande parte devido a salários baixos e poucas possibilidades de ascensão. Grupos como ambulantes, pequenos comerciantes, pedreiros, pintores, cozinheiros, barbeiros e cabeleireiros são os mais afetados, enfrentando jornadas longas e vulnerabilidade econômica.

Mesmo quem empreende formalmente não está completamente blindado da instabilidade: de acordo com o levantamento de Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, realizado em 2022, 6 em cada 10 empresas fecham antes de completar cinco anos.

Esses números reforçam que a proteção oferecida pelo emprego formal, frequentemente criticada ou demonizada, continua sendo um pilar essencial. É por isso que a defesa dos direitos trabalhistas deve ser contínua, a segurança e a dignidade da classe trabalhadora, diante de um mercado de trabalho instável e desigual, precisam ser uma prioridade de todos.

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